Compliance e Cultura Organizacional – Parte II

22 de abril de 2019

Compliance e Cultura Organizacional – Parte II

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Na Parte I desta série de artigos, vimos que o padrão ISO 19600 recomenda que a organização deve considerar, entre outros, os contextos sociais e organizacionais na implantação de um sistema de gestão de compliance, afirmando também que uma das responsabilidades da alta administração é a função de garantir que o compliance é incorporado na cultura organizacional e nas iniciativas de mudança de cultura.

Vamos ao ponto, já introduzido no artigo anterior, como abordar explícita e conscientemente a cultura organizacional, aumentando as chances de sucesso na implantação do compliance? Há vários caminhos disponíveis, sendo que o próprio padrão ISO 19600 recomenda algumas ações em seu item “7.3.2.3 Cultura de Compliance” onde é possível verificar alguns exemplos de fatores que podem ajudar a desenvolver uma cultura de compliance:

  • um conjunto claro de valores publicados;
  • corpo gestor implementando e respeitando ativamente os valores;
  • mentoring, coaching e liderança pelo exemplo;
  • treinamento contínuo sobre compliance;
  • comunicação contínua sobre questões de compliance;
  • sistemas de avaliação de desempenho que avaliem também o comportamento de compliance e que considerem indicadores e resultados chaves de compliance;
  • reconhecimento visível das conquistas no gerenciamento de compliance;
  • medidas claras contra as violações intencionais ou negligentes das obrigações de compliance;
  • alinhamento entre a estratégia e os papéis individuais, refletindo o compliance como essencial para alcance dos resultados.

São fatores importantes e, com efeito, devem formar a base do sistema de gestão de compliance, contudo tendem a ser insuficientes para uma variada gama de organizações. O que fazer então?

Existem muitas ferramentas para auxiliar a mudança cultural nas organizações, mas, em princípio, falaremos de três delas nesta série: o modelo de mudança em 8 passos de John Kotter, a teoria da difusão de inovação de Everett Rogers e a teoria das dimensões culturais de Geert Hofstede.

John Paul Kotter, professor da Harvard Business School e autor premiado nos campos da liderança, mudança e negócios. Partindo da observação de que o ser humano tende naturalmente a permanecer em sua zona de conforto, Kotter desenvolveu 8 passos para uma gestão de mudanças eficaz dentro de organizações.

O psicólogo Everett Mitchell Rogers, desenvolveu a teoria da difusão de inovação explicando o fenômeno do porquê algumas pessoas adotam novos comportamentos ou adquirem novos produtos antes de outras.

Por fim, Geert Hofstede, psicólogo holandês, desenvolveu estudos que demonstram a existência de grupos culturais nacionais e regionais que influenciam o comportamento de sociedades e de organizações e que são persistentes ao longo do tempo.

Vamos conhecer em detalhes cada uma das três ferramentas nos próximos artigos, tenho certeza de que a utilização adequada de uma delas, ou de qualquer combinação entre elas, tornará muito mais fácil a implantação efetiva do compliance ou de outro processo organizacional.

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